Todos temos direito, na medida
certa, à diversão e alegria. O Carnaval
é uma dessas oportunidades. Com origem
no paganismo romano, era uma festa clandestina
para homenagear um deus secundário - o
deus Baco - durante a qual os foliões saíam
num carro navio: Carrus Navalis. Aceita pelo poder
romano, a festa foi também assimilada pelo
cristianismo, que a fixou na semana anterior ao
início da quaresma, com um novo sentido
o de "carne levare", dias com direito
a comer carne e com direito à diversão
sadia.
ALEGRIA e responsabilidade constituem
atitudes profundas no homem e não contrastam
entre si. Temos até necessidade de cultivar
sentimentos tão sagrados. O Carnaval, que
transcorre nestes dias, deveria trazer para todos
momentos de descanso, de fraternidade e de alegria.
Mas é igualmente a responsabilidade que
deve ser levada em conta, pois nos obriga a examinar
as condições para que esta alegria
seja duradoura e extensiva a todos.
DURANTE o Carnaval, nos quatro
cantos do país, a alegria toma conta da
alma brasileira despertada pelos sons, ritmos,
cores e movimentos. Um fenômeno cultural
cujo poder de comunicação não
há crise econômica, política
e social que ofusque. O Carnaval parece devolver
a alegria ao povo e, ao menos durante três
dias, ricos e pobres, riem e se divertem juntos
no mesmo espaço.
A DIVERSÃO, porém,
não pode dar lugar a exclusão. O
que era antes uma tradição cultural
passa hoje a ser explorado por "bandas empresa"
que realizam um carnaval, na rua, para foliões
que possam pagar (caro) pelo direito de brincar
dentro do cordão de isolamento. Nossas
manifestações culturais devem se
revestir do acolhimento, da alegria, da partilha,
e não o contrário. A cultura se
constrói com a participação
do povo, não com a exploração
deste.
O CARNAVAL pode ser aproveitado
como um tempo de festa e de alegria, sem exageros,
sem abusos e sem dor de cabeça no dia seguinte.
Qualquer um pode se alimentar bem, dançar,
pular, gritar, mas sabendo que no dia seguinte
a vida continua. Saúde jogada fora é
vida a menos. Pior ainda, quando ela não
volta mais.
A ALEGRIA faz bem para todos.
O que se sugere é não abdicar da
própria dignidade e responsabilidade. Não
achar que a natureza pode ser driblada. Ela é
exigente e se vinga contra os que a desrespeitam.
Que será de muitas pessoas após
o Carnaval, quando as fantasias forem jogadas
fora e a quarta-feira de Cinzas devolvê-las
à realidade? São Paulo recomenda:
"O Senhor espera de cada um uma conduta digna
de quem é Templo do Espírito Santo"
(I Cor. 6,19), no Carnaval e em todos os momentos
da vida.

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