Do dinheiro já se disseram
as piores coisas. E com toda a razão. Um
dos seus mais declarados inimigos, o escritor
italiano Giovanni Papini chega a proclamá-lo
"esterco do diabo". O próprio
Cristo foi traído por Judas por um punhado
de trinta moedas. E a Campanha da Fraternidade
nos adverte em seu lema: "Vocês não
podem servir a Deus e ao dinheiro" (Mt 6,24).
NUM PRIMEIRO momento, a proposta
da necessidade de fazer uma escolha entre Deus
e o dinheiro ou os bens materiais, parece ser
contraditória na nossa vida de cada dia.
Se por um lado precisamos de Deus, por outro lado
não podemos viver sem o dinheiro, sem os
bens materiais. Como compreender essa exigência
de Jesus?
NO CONTEXTO dos ensinamentos de
Jesus percebemos claramente que os termos, "servo"
e "servir", devem ser entendidos no
sentido de escravo e dependente. Portanto, podemos
re-escrever a proposta de Jesus, neste termos:
"ninguém pode ser servo de Deus, e
ao mesmo tempo ser escravo do dinheiro e dos bens
materiais. É nesse sentido que Jesus usa
o verbo "servir": como sinônimo
de escravo, de um coração totalmente
dependente dos bens materiais.
POSSUIR bens materiais que favoreçam
a família e seus membros a viverem com
qualidade de vida é uma benção
divina. Deus quer essa bênção
para todos. Procurar adquirir bens, utilizando
o trabalho ou outros meios legítimos, a
fim de proporcionar à família um
conforto digno, boa qualidade de vida, de saúde,
de instrução, de profissão,
é legítimo, é louvável,
e é abençoado por Deus..
O PAI de família, não
escravo do dinheiro, que utiliza seus bens e seus
ganhos para proporcionar o melhor para sua esposa,
seus filhos e familiares, é um "abençoado",
e ao mesmo tempo, uma bênção
para sua família. A esposa-mãe que
trabalha e põe o fruto de seu trabalho
a serviço de seu lar, para fazer mais felizes
o marido e os filhos, é uma "abençoada",
e uma "benção" para seu
lar.
A FAMÍLIA que possui a
benção dos bens materiais em abundância,
e que é livre da "escravidão
do dinheiro", deve usar uma parcela de seus
bens, a fim de socorrer pessoas, famílias
necessitadas, obras sociais... Felizes as famílias,
que possuem "um coração desapegado"
e utilizam freqüentemente da abundância
de seus bens para serem solidários com
aqueles que passam necessidades.

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